Descoberta de fósseis na Espanha aponta presença do género Diplodocus fora da América do Norte
Achado de 14 vértebras caudais na região de Teruel sugere expansão geográfica dos saurópodes durante o Jurássico, embora investigadores mantenham prudência taxonómica.
Foto: Catracalivre.com.br
Uma equipa de investigadores identificou uma sequência articulada de 14 vértebras caudais no sítio paleontológico de La Tejería, localizado em El Castellar, na província de Teruel, Espanha. O achado é atribuído ao género Diplodocus, constituindo o primeiro registo científico documentado deste famoso dinossauro saurópode fora do continente norte-americano.
Até agora, e desde a primeira descrição do animal no século XIX, os registos fósseis confirmados de Diplodocus provinham exclusivamente de formações geológicas da América do Norte. Esta nova evidência, recolhida por especialistas da Fundação Dinópolis, sugere que o herbívoro gigante, com um comprimento estimado de cerca de 25 metros, também habitou o território europeu durante o período Jurássico, há aproximadamente 150 milhões de anos.
Além das 14 vértebras da secção média e posterior da cauda, os paleontólogos recuperaram estruturas inferiores conhecidas como chevrones ou arcos hemurais, responsáveis pela sustentação vascular. A excelente preservação anatómica permitiu realizar exames filogenéticos e identificar cavidades pneumáticas profundas, bem como proporções específicas nos centros vertebrais, características que associam o fóssil espanhol aos exemplares norte-americanos.
A presença deste dinossauro na Península Ibérica reforça as teorias de que existiam rotas transitórias de terra firme entre os continentes em formação, permitindo o intercâmbio biológico de grandes réptil num período de transição geográfica e de abertura do oceano primitivo.
Apesar da relevância da descoberta, parte da comunidade científica recomenda cautela na interpretação dos dados. Uma vez que o achado se limita a ossos da cauda, sem a presença de partes do crânio ou dos membros, os investigadores optaram por classificar o espécime como Diplodocus sp., sem atribuir uma espécie definitiva, aguardando que futuras escavações forneçam novos elementos fósseis.
